Presidente diz que Flamengo busca título do Brasileirão e Copa do Brasil

Mais do que o técnico Zé Ricardo, a eliminação precoce do Flamengo na Libertadores coloca no centro do questionamento, mais uma vez, a condução da gestão do presidente Eduardo Bandeira de Mello com o futebol.

Em entrevista ao Blog, o dirigente reconhece: “jogamos muito mal ontem, foi muito negativo”, sem esclarecer, no entanto, o que pode ser alterado para que resultados como este não se repitam na trajetória do grupo.

“O que vocês querem que eu faça?”, questiona o presidente e acrescentando ao longo da entrevista: “O copo do Zé Ricardo continua tão cheio quanto estava”, “Foi uma tragédia e vamos tentar aprender com ela”.

Veja a entrevista completa com Eduardo Bandeira de Mello:

– Que avaliação já pode ser feita sobre a eliminação?

Foi o que já falei, ninguém gostou do resultado, da eliminação. E vamos avaliar o que aconteceu. Ainda não fizemos esta análise. A torcida está sofrendo, nós estamos sofrendo.

– Mas acredito que de ontem até agora vocês já devam ter listado alguns pontos sobre os quais precisam trabalhar…

Existe um plano de ação para o resto do ano. Isso já existia. É claro que uma partida como a de ontem tem de ser avaliada. Ontem foi uma coisa muito negativa. O que vai mudar é que a partida foi ruim, jogamos mal e a nossa governança vai levar a um outro tipo de ação. Não existe uma administração de crise, o que existe é que quando você joga uma partida, pode ganhar, empatar e perder. E perdemos. E aconteceram resultados que ninguém imaginava. Isso traz consequências, mas a avaliação é feita permanentemente. Se tivéssemos ganhado de 5 a 0, o planejamento não mudaria.

– Que erros foram cometidos? Não estou te pedindo para fazer um “caça as bruxas”, mas quais erros, na sua opinião, levaram a essa eliminação tão precoce?

Isso não é assim como alguns de vocês estão pensando. Perdeu, tem que tomar uma atitude. Tem que avaliar o contexto todo. Se a Universidad Católica tivesse vencido, ninguém ia questionar o futebol. O Flamengo não jogou bem e o próprio Zé Ricardo falou isso.

– O senhor vai conversar com os jogadores na reapresentação?

Eu converso sempre com o elenco. Ao longo dos próximos dias vamos abordar o que aconteceu no jogo de ontem.

– Há quem diga que a falta de concentrar as energias numa só competição tenha atrapalhado… o time jogou com força total na estreia do Brasileiro (quatro dias antes). Na sua opinião, poderia ter poupado os principais atletas?

Não acredito, não. Antes você teve uma semana inteira de descanso. Você tem de dosar o desgaste do time e a comissão entendeu que podiam entrar em campo.

– Não estou falando do desgaste físico, estou falando do grupo em diversas competições, da concentração no que era principal.

Nossa obrigação é ter foco em tudo.

– Nas vésperas desse jogo teve um evento na prefeitura (com o prefeito Marcelo Crivella) e dalí se organizou uma estreia do time no Brasileiro, no Maracanã, com pompas e circunstâncias, tendo até a Xuxa para a cerimônia. Isso não engessa o departamento de Futebol caso quisesse escalar um time reserva naquele jogo?

Quando eu dei beijinho na Dilma na época do Profut ninguém reclamou. Ou só reclamaram aqueles que são contra a Dilma. (O dirigente esteve em Brasília durante divesas vezes em 2015, acompanhando o movimento do Bom Senso para aprovação da Lei de Refinanciamento das dívidas dos clubes, em troca de contrapartidas de responsabilidade fiscal)

Como presidente do Flamengo, tenho a obrigação de me relacionar com qualquer político desde que seja para defender os interesses do clube. Os jogadores sequer participaram do evento. Enquanto estava a Xuxa falando, os jogadores estavam aquecendo como se nada tivesse acontecendo.

– O que está atrapalhando o desempenho do time em campo?

(pausa) É uma avaliação… um ano atrás tínhamos sido desclassificados pelo Fortaleza (da Copa do Brasil), o clube entrou em pé de guerra, tinha gente exigindo uma série de coisas. Mantivemos o trabalho e acabamos fazendo uma campanha muito boa no segundo semestre e a avaliação, mesmo dos críticos mais severos, foi de que fizemos uma boa campanha.

– Você acha que essa derrota, como foi, pode fortalecer o time?

Você tem de tentar aprender com tudo. É uma tragédia, mas vamos ter de tentar aprender com ela.

– Ouço comentários no clube de que o time pode seguir o exemplo do Palmeiras, que no ano passado após ser eliminado da Libertadores ganhou o Brasileiro. O time paulista é um exemplo a ser seguido?

Vamos tentar ganhar o Brasileiro e a Copa do Brasil.

– Qual o estágio da relação do clube com o Zé Ricardo? Podemos dizer que o copo dele estava mais cheio antes da derrota?

O copo do Zé Ricardo está tão cheio quanto estava ontem. Não mudou absolutamente nada. Se fosse demitido, iam criticar, dizer que é o nono técnico, que o culpado é sempre o treinador. Não é o jogo de ontem que vai abalar a confiança, podia ter acontecido diversas coisas. O Zé é extremamente bem avaliado, é um técnico em que apostamos e não adianta vir com pressão.

– O senhor se sente pressionado em excesso?

Eu prefiro que coloque a culpa em mim e deixe o time trabalhar em paz. O presidente do Flamengo que não aguenta pressão não pode ficar no cargo.

Por ESPN