Diretor diz que Flamengo pode contar com Carabao para contratar

O português Nelio Lucas, CEO do grupo Doyen, é hoje um dos executivos mais influentes do futebol mundial. Sob sua gestão, estão as carreiras e contratos publicitários de astros como David Beckham, Diego Simeoni, Xavi Hernández e Neymar (apenas para o mercado asiático), além do patrocínio a grandes clubes de futebol – o Chelsea é um deles.

Para o torcedor brasileiro, porém, Nelio e o Doyen eram pouco conhecidos até o início deste ano, apesar de terem participado do imbróglio envolvendo a compra e venda do atacante Leandro Damião pelo Santos e de outras negociações de atletas com o clube paulista (o meia Lucas Lima, por exemplo). A época de poucos holofotes, no entanto, acabou. Em janeiro, o grupo anunciou uminvestimento de R$ 190 milhões para patrocinar a camisa do Flamengo com uma de suas marcas, a Carabao, que será estampada na manga da camisa.

Mais desconhecida ainda do que o Doyen, a marca já patrocina os Blues e chega ao mercado brasileiro no início de março para disputar o segmento de bebidas energéticas com empresas como a Red Bull e a Ambev.

Em entrevista à GQ Brasil, o executivo falou dos planos futuros do grupo, que envolvem desde mais aportes ao futebol rubro-negro até o patrocínio de outros clubes tradicionais do país. “Se acharmos que temos bastante torcedores do Corinthians consumindo o Carabao, teremos interesse também em patrocinar o clube.”, afirmou. Confira a seguir os principais trechos da conversa.

GQ Brasil: Além de coordenar a operação da Carabao no Brasil, você divide seu tempo com a gestão do grupo Doyen, que patrocina o Chelsea e outros clubes. Como tem feito para conciliar os diferentes fusos?

Nelio Lucas: Costumo brincar que, para qualquer novo projeto que me propuserem, terei de trabalhar entre 5h e 5h30 da manhã. Não tenho mais tempo para nada. Mas a verdade é que não é algo que me tome tanto tempo. Vou delineando as estratégias de marketing e comunicação e, obviamente, a equipe que está no Brasil segue com o restante da operação. E o fato de termos muitos negócios que envolvem o futebol também facilita essa gestão.

Qual é a estrutura da Carabao no Brasil?

A estrutura é pequena, pois o Carabao ainda não está à venda. O produto chegará às lojas no fim deste mês, inicialmente no Rio de Janeiro. Demorou um pouco, pois tivemos que aprovar o produto e a embalagem para atender às normas brasileiras. E por ser apenas no Rio, não precisamos de uma equipe grande. Estamos levando o produto através de um importador e temos uma equipe para negociar com os supermercados. Mas em breve vamos ampliar a equipe, pois queremos estar em outros estados ainda no mês de março e, em abril, no país inteiro.

Vocês já têm parceria com algum varejista?

Estamos negociando neste momento. Provavelmente o grupo Casino será um dos que irá distribuir o produto no país inteiro.

Além do Flamengo, a Carabao já tem outros investimentos planejados?

Depende da receptividade do produto. É difícil quantificar, mas adianto que temos orçamento para mais investimentos. O Brasil é um país importante na estratégia de internacionalização da Carabao. Portanto iremos colocar bastante recurso. Obviamente o patrocínio do Flamengo já é um grande passo e, na nossa opinião, vai  gerar o retorno esperado, dispensando um investimento deste porte numa segunda fase. Mas precisamos aguardar.

Recentemente o Corinthians fechou patrocínio com a Estrella Galícia em uma estratégia que remete ao que vocês estão fazendo com o Flamengo. O futebol é a melhor maneira de entrar no Brasil?

Acredito que é o melhor acelerador para divulgar uma marca e torna-la conhecida por um grande número de pessoas. Desde que você tenha o parceiro certo, é claro. No nosso caso acho que temos o melhor parceiro do país, o clube com a maior torcida. Automaticamente teremos um reconhecimento nacional e um engajamento muito próximo do consumidor. Se for fanático ou souber que se consumir o produto vai ajudar o clube, fará isso naturalmente. Estou convencido disto, até pela receptividade que temos nas redes sociais. Conforme for, vamos avaliar se há espaço para patrocinarmos outro clube. Não queremos ser só Flamengo. Se acharmos que temos bastante torcedores do Corinthians consumindo o Carabao, teremos interesse em patrocinar o clube. Essa é a nossa filosofia. Vamos ver.

A vinda do Carabao deve aumentar os negócios do Doyen no mercado nacional?

Temos investimentos em alguns atletas (Lucas Lima, Marcelo Cirino, Gabigol, Geuvanio Santos e Leandro Damião). Também fizemos um contrato para agenciar os direitos de imagem do Neymar no mercado asiático. Evidentemente isso continua após conseguirmos bons resultados nessa parceria. O nosso objetivo é sermos cada vez mais uma empresa de referência no futebol. Os investimentos do Doyen, no entanto, não estão totalmente atrelados ao Carabao. São operações independentes.

O Doyen deve investir em algum reforço para o Flamengo nessa temporada?

Estamos discutindo com a diretoria do Flamengo. Se o clube entender que podemos auxiliá-lo na contratação de reforços, pode contar conosco para isso. De repente para o início do Campeonato Brasileiro.

Como é a imagem do Neymar na Ásia hoje em dia?

Muito grande. Arriscaria dizer que está no nível do Messi em vendas de camisa, divulgação na mídia. Fizemos um esforço grande para ampliar a presença dele. Além disso e de ser um craque, é uma figura midiática, com carisma e imagem positiva. Isso é muito valorizado na Ásia.

Fonte: O GLOBO