Joia 2017: precoce Lincoln é o sonho de dupla de ataque caseira no Fla

Com 16 anos e um mês, atacante camisa 9 é parceiro de sensação Vinicius na base e assina primeiro contrato. Nos últimos dois estaduais que disputou, marcou 49 gols.

Da escolinha do Feu Rosa, na Serra, região metropolitana de Vitória, até a Copa São Paulo de juniores Lincoln se acostumou a furar filas. Com apenas 13 anos, era convocado para a seleção brasileira sub-15. No Flamengo desde 2011, hoje, ele é o camisa 9 do time na Copinha em São Paulo – em dois jogos, ainda não conseguiu marcar. Mas já se firma como um dos grandes expoentes da famosa geração 2000 da Gávea. Ao lado do parceiro Vinicius Junior, Lincoln, o L9, como já há menções na internet, é motivo de muita atenção no Flamengo. No fim do ano passado, ele assinou primeiro contrato profissional que será registrado nos próximos dias na Ferj.

Lincoln é capixaba e começou a jogar bola com apenas quatro anos em escolinhas do bairro no Espírito Santo. Uma excursão para jogar amistosos no Rio antecipou os primeiros Fla-Flus da vida do garoto. Ele se destacou ao enfrentar o Fluminense e chamou a atenção dos olheiros do Rubro-Negro e do Santos. Mas o coração bateu mais forte.

– Minha família toda é flamenguista – diz o garoto, que tem cara de menino, e é fã do português Cristiano Ronaldo e do atacante brasileiro Neymar.

Com o pai Josimar – que acompanha o filho na Copinha – e toda a família, ele veio para o Rio de Janeiro jogar no Flamengo. Hoje, mora com o pai, a mãe e dois irmãos próximo ao Ninho do Urubu. O contrato de três anos – um “bom contrato”, como lembra o empresário Pedro Pereira, que trabalha com Thalles no Vasco, entre outros atletas – é daqueles com multa alta, cerca de R$ 100 milhões, e premiação com metas e gratificações. Há cinco anos também tem contrato próprio com material esportivo. O cuidado do Fla é tanto que o GloboEsporte.com tentou, mas não foi autorizado a fazer entrevista com o garoto até o registro do novo vínculo.

– Recebi indicação para trabalhar com ele do André Silva, ex-zagueiro, que foi campeão da Conmebol com o Botafogo. Ele me mostrou material dele depois que arrebentou numa final contra o Corinthians na Copa Brasil-Japão. É um caso de jogador bem precoce, até porque ele faz aniversário dia 16 de dezembro. Ou seja, é quase um “2001” – lembra o empresário.

Ao lado de Vinicius e da geração promissora de 2000, Lincoln foi responsável pelo massacre na final do estadual 2016 juvenil este ano contra o Vasco. No placar agregado, 10 a 1 para o Rubro-Negro – dois de Lincoln, que fez 21 no primeiro ano de juvenil. No campeonato estadual infantil, também foi campeão e artilheiro, marcando 28 gols. O destaque nos últimos torneios é tanto que ainda no fim do ano passado ele foi para a Copa RS e voltou a aparecer bem. O técnico Gilmar Popoca não teve dúvida: é titular do seu time. Vinicius ainda está na reserva.

– Ele é um jogador de uma qualidade técnica, de uma definição dentro da área impressionante. Dei oportunidade para ele na Copa RS, ele chegou e fez diferença. Manteve nível muito alto de atuações mesmo sendo um atleta que ainda ia completar 16 anos. A gente sabe muito o potencial, mas tem que ter paciência, o garoto tem apenas 16 anos. Na função do atacante centralizado ele é um jogador diferente mesmo. Cada vez enfrentar mais vai adversários mais duros. Então a gente tem que trabalhar principalmente a cabeça dele para que não aconteça alguma coisa errada no percurso – destacou Popoca, na véspera da estreia na Copinha.

Zé elogia, mas lembra: “Devagar que o santo é de barro”

Técnico de todas as categorias de base do Flamengo, Zé Ricardo foi treinador de Lincoln na chegada ao Rubro-Negro. Conhece bem o garoto e acompanha a trajetória da dupla que faz com Vinicius desde os primeiros passos com a camisa do Flamengo. Se no time da Copa RS e também da Copinha -, Lincoln é titular e Vinicius reserva, na seleção sub-17 acontece o contrário. Unha e carne na base do Fla, eles sonham um dia formar dupla de ataque no profissional.

– É um sonho é dar muitas alegrias à torcida rubro-negra – disse ainda na Gávea, após a goleada no Vasco, em dia que ele e Vinicius marcaram dois gols cada.

Em dois jogos na Copinha – com duas vitórias do Rubro-Negro -, Lincoln não conseguiu deixar o dele. Os conselhos de Gilmar Popoca eram de quem conhece bem como a banda toca. O jogador ainda está em fase de amadurecimento do futebol, mas é tratado com carinho especial no Ninho do Urubu. Cuidado igual tem Zé Ricardo, que o conhece há bastante tempo.

– É um jogador que desperta interesse grande para a gente. É muito talentoso, mas é muito jovem também. Sabe jogar dentro da área, sair para os lados. Bom poder de finalização com as duas pernas, bom nível de cabeceio, sabe se posicionar. Mas ainda é muito novo. Foi meu atleta em 2012, em 2013 a gente já o utilizava no infantil. Fomos campeões da Copa Brasil-Japão, no CFZ. Era o primeiro campeonato nacional dele. Tinha 13 anos num campeonato sub-15 e parecia que era o quintal de casa dele. Foi muito, mas muito bem mesmo e foi um dos artilheiros. Mas devagar, devagar, que o santo é de barro. A gente já viu muitas histórias não acontecendo. Ele faz trio de ataque infernal com o Vinicius e com o Bill, que não está na Copinha, que veio do Nova Iguaçu – comentou Zé Ricardo.

Fonte: GE